segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O novo pensamento econômico sobre a água

No Brasil, bens naturais, como a água que escorre por nossos canos, não são tarifados corretamente. Especialistas explicam como pagar pouco por esse recurso tão valioso contribui para a crise de água que enfrentamos no país.





Em 1960, o britânico Ronald Coase iniciou uma discussão sobre a regulação econômica de atividades como as envolvidas na geração de fumaça, barulho ou esgoto. Em seu artigo O problema do custo social, Coase, que ganharia o prêmio Nobel de Economia em 1992, analisava a forma de consumo de recursos como ar, água ou energia para permitir as melhores decisões sobre seu uso. Ele repensava a maneira de dar preço a esses bens, para que sua disponibilidade fosse garantida a longo prazo.
Recentemente, ideias como as do economista começaram a ser colocadas em prática na gestão dos recursos naturais. É o que acontece desde os anos 2000 no mercado de compra e venda de créditos de carbono, que regula a emissão de poluentes dos países — em outras palavras, gerencia o ar. E também é o que vem sendo feito em alguns lugares para guiar o uso de um dos bens mais fundamentais para a manutenção da vida: a água.
Em termos concretos, isso significa colocar um preço na água e fazer com que ele demonstre quando ela é escassa ou abundante. Assim, quando a oferta é pouca e a demanda grande, preços maiores indicam que a água deve ser poupada, enquanto  em épocas de muita oferta e pouca demanda os valores seriam irrisórios, mostrando que o bem pode ser consumido sem parcimônia.

No Brasil, a água custa centavos. Nas tarifas de todo o país estão embutidos os preços de captação, tratamento e distribuição. No entanto, desde a Lei das Águas, de 1997, a água, um recurso finito, também ganhou um preço. Em algumas regiões do Estado de São Paulo, ela varia entre 2 centavos e 12 centavos. E essa tarifa se mantém, seja em períodos de seca, seja nas épocas de abundância. Simbólico, o custo indica que esse bem essencial é farto, inesgotável e fácil de extrair. É o oposto do que mostra a crise atual em todo o país.

“Quando acordamos pela manhã e abrimos a torneira, temos acesso a uma quantidade de água ilimitada pela qual pagamos menos que pelo serviço de celular. Isso nos fez acreditar que a água é infinita”, diz o americano Robert Glennon, professor de políticas públicas da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e autor do livro Unquenchable: America’s Water Crisis and What to Do About It (Inesgotável: A Crise de Água Americana e o que Fazer Sobre Isso, sem edição em português), publicado em 2009. “No entanto, nossa fonte de água é fixa e finita: é como um grande copo de milk-shake com um número infindável de canudos. Muitos lugares permitem que esse número ilimitado de canudos seja usado, uma receita para um desastre previsível que começa a se manifestar em rios secos e falta d’água para beber. Por isso precisamos colocar um preço apropriado na água: quem usa mais tem que pagar mais.”
Água barata — De acordo com os economistas, o mercado é uma importante ferramenta para racionalizar o uso da água e prevenir as crises. Pequenas intervenções têm impactos tremendos, que podem resolver secas históricas ou combater o desperdício do valioso bem.
“Nos EUA, os agricultores usam cerca de 80% da água. Uma pequena redução nesse consumo dobraria o fornecimento para todos os municípios e uso industrial. Falo de reduções pequenas, como diminuir esses 80% para 76% — isso dobraria o fornecimento para todo o uso comercial e residencial”, diz Glennon.
Segundo o americano, a maneira mais simples de modificar esses números seria criar uma taxa adequada sobre a água. A tarifa indicaria como e onde a água deve ser economizada. Ela seria baixa para os metros cúbicos necessários para as tarefas básicas cotidianas — para garantir que chegue a todos — e aumentaria, gradualmente, a partir desse nível.
“Deve haver blocos de taxas crescentes, que seria o mesmo que dizer: quanto mais água é usada, mais é pago por essas últimas unidades. Inacreditavelmente, em muitos lugares, há taxas fixas para uso ilimitado de água. Esses blocos deveriam ser ajustados por temporadas para considerar o fato de que durante o verão, quando o uso da água aumenta, isso se dá para abastecer os jardins da casa ou as piscinas. Não me oponho a isso, mas acredito que se alguém quer uma piscina, então que pague por isso”, diz Glennon.
Bem incomum — A água, entretanto, não é um bem como automóveis, roupas ou celulares, que pode simplesmente ser submetido às regras comuns do mercado. Os recursos naturais possuem características especiais que tornam complexa sua submissão a regras econômicas. As decisões tomadas em relação a eles atingem toda a população — e ninguém pode ficar sem eles. Além disso, grande parte desses bens, como o ar ou as florestas, é usado gratuitamente. É difícil — embora não impossível — estabelecer um direito de propriedade para um rio e cobrar de todos aqueles que usam sua água.
“Qualquer economista dirá, voltando às aulas básicas de economia, que, quando os preços aumentam, o consumo diminui. Mas, para a água, há limites. No entanto, ela é tão barata que enxergamos isso como uma permissão para o uso irresponsável”, diz Glennon.
O modelo brasileiro — O Brasil possui um modelo de regulamentação do sistema hídrico que é do fim dos anos 1990 e foi espelhado na experiência francesa do pós-guerra. Na França desse período foram criados comitês de bacias que regulam e precificam o uso da água dos seus rios. O recurso possuía um valor simbólico, como hoje no Brasil, além das taxas de captação, tratamento e distribuição.
No entanto, com as secas do início dos anos 1990 no país, o governo francês resolveu intervir e regular os preços para evitar a insustentabilidade dos recursos hídricos. Do contrário, em pouco tempo, não haveria água para a agricultura ou para os habitantes das cidades. A regulamentação econômica incentivou a atividade agrícola a usar mais tecnologia, economizando água, e direcionou os agricultores para regiões com abundância de água — onde o recurso é mais barato.
Essa experiência é semelhante à crise enfrentada atualmente em São Paulo. No Brasil, os recursos hídricos são geridos por comitês de bacias, submetidos à Agência Nacional de Águas (Ana), que fixam o preço da água. São poucos centavos por metro cúbico, pagos por empresas de saneamento, indústria e agricultura, que não refletem os períodos em que a água é mais ou menos escassa. E é exatamente esse ponto que recebe as críticas dos especialistas.
“Espero que, como a França, o Brasil acorde logo para a insanidade que é a forma como a água é precificada aqui. Os valores podem variar em regimes de escassez hidrológica. Há legislação que permite essa regulação e isso pode ser discutido e aplicado de forma gradual”, diz o economista Ronaldo Seroa da Motta, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e um dos maiores especialistas do Brasil no tema. “Atualmente, nossa política de preço da água, do ponto de vista econômico e ambiental, é simplesmente insustentável: criamos consumo intensivo e os preços sinalizam a abundância do recurso, o que é um contrassenso.”
A comparação com os valores aplicados atualmente na França mostra o abismo entre os preços: os agricultores do país pagam 300 vezes mais que nós pela água que irriga os campos, enquanto a indústria dá 14 vezes mais e as empresas de saneamento, três vezes mais. Os franceses investem quase 13 bilhões de dólares em infraestrutura hídrica, enquanto nós, apenas 3 bilhões, de acordo com o último relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, na sigla em inglês).
“Nosso critério de precificação é aquele que não dói no bolso: o preço não pode impactar o consumo e a produção, deixando explícito que não queremos mudanças nesse padrão. Isso é um belo incentivo à insustentabilidade”, diz Motta.
Nossa conta — Os recursos obtidos com a precificação correta da água poderiam ser destinados a outros fins que ajudem a conter crises hídricas. Grandes reservatórios, como a Cantareira, que atende 9,8 milhões de paulistas — 8,4 milhões só na capital —, são rodeados por terras que precisam de boa infiltração. É a penetração da água das chuvas no subsolo que alimenta os lençóis freáticos e leva água para reservatórios e represas. No entanto, pastos ou terrenos com pouca vegetação fazem com que a água escorra e eliminam essa reserva. 
“Há técnicas de manejo de pasto que promovem a melhor infiltração das águas. Mas é preciso pagar os agricultores para que façam essa adequação. E o dinheiro para isso vem do preço da água”, diz o economista Ademar Romeiro, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A primeira experiência desse tipo foi feita em Nova York, há 25 anos. A prefeitura usou os valores arrecadados com os consumidores para pagar os agricultores e moradores ao redor do seu principal reservatório para que mantivessem o solo adequado à infiltração: compraram as terras e substituíram gado por produção de vegetais. No Estado de Minas Gerais, experiência semelhante é feita no município de Extrema, há dez anos.
“No entanto, no Brasil, quem paga por isso é a prefeitura, enquanto o correto seria que os usuários pagassem por esse serviço”, diz o Romeiro. Segundo estudos feitos na Unicamp, o financiamento desse tipo de serviço significaria 1 real ou 2 reais a mais nas contas de água do consumidor comum.
“Esse tipo de serviço é uma variável-chave para a contenção de crises. O uso das terras na bacia de captação tem que ser adequado e temos que pagar por isso. É legal, economicamente viável e fácil de ser colocado em prática”, diz Romeiro. “Nós pagamos muito pouco pela água. Certamente não pagamos o necessário para tornar sustentável o nosso consumo de água de qualidade.”

Situação de emergência na Estação de Tratamento do DEMAE em Campo Belo


No estado de Minas Gerais diversas cidades estão sofrendo com a falta de água, muitas já estão declarando estado de emergência, como é o caso da cidade de Campo Belo/MG. No intuito de levar ao conhecimento da população campobelense, a real situação dos córregos que abastecem a cidade, a equipe do site Portal Campo Belo foi até a Estação de Tratamento do DEMAE, na tarde desta quarta-feira, dia 08.
A cidade de Campo Belo é abastecida por dois córregos, Bugre e Parreira, que sofrem com a falta de chuvas. Em contato com o encarregado do DEMAE, o mesmo relatou que foi feito um investimento na estação de tratamento há alguns meses, para que fossem mandados 170 litros de água por segundo para a cidade, porém com a falta de água (chuva) está sendo mandado apenas 80 litros por segundo. Desta maneira alguns tanques onde é feito o tratamento da água estão ficando vazios e algumas bombas que mandam a água estão ficando desligadas, já que não esta havendo água suficiente para abastecer a população. No córrego Bugre, onde se formava uma cachoeira muito conhecida como “Cachoeira do Demae” já não existe a cachoeira, apenas uma rastro de água passando pelas pedras e seguindo sentido o tanque de tratamento. Já no segundo córrego, Parreira, onde a água também passa pelo tratamento, não consegue mandar a quantidade de água suficiente para o tanque de tratamento, muitas vezes mandando ar para as bombas, que estão sempre precisando de manutenção, exigindo ainda mais os trabalhos dos colaboradores.
De acordo com algumas palavras do encarregado Wagner, os funcionários do DEMAE, “Já não há mais o que fazer, o que falta é água! Funcionários que trabalham há mais de 20 anos, nunca viram algo do tipo, a população precisa se conscientizar, não esta havendo água nem para fazer o racionamento”. O centro segue sendo um dos principais bairros afetados pela falta de água.
Evite o desperdício de água, evitem ficar lavando veículos, quintais, varandas e passeios. É preciso ter a consciência que  pessoas estão ficando sem água para as necessidades básicas, é preciso se conscientizar que a falta de água é uma situação real em nossa cidade.

  • Confira o vídeo feito na famosa "Cachoeira da DEMAE"

Imagens aéreas mostram efeitos da seca no Lago de Furnas em MG

Um dos principais reservatórios do país, represa tem 22% de água. Atual nível já é considerado um dos piores da década.


Imagens aéreas feitas de cidades banhadas pelo Lago de Furnas, no Sul de Minas, mostra a situação causada pela seca na região. Atualmente, o reservatório está com apenas 22% da sua capacidade total de água.
 Em Varginha (MG), os reflexos da seca são nítidos. No bairro Lagamar, a água que sobrou é a do leito do rio. Em Boa Esperança (MG), cidade que explora o lago para o turismo, o lago artificial ainda está cheio, mas graças a um dique construído em 1977. Fora dele, o que antes era lago, agora é uma área completamente seca.
Em Campo do Meio (MG), um dos municípios do Sul de Minas que tiveram mais áreas alagadas, a imagem é desoladora. Dos 59 quilômetros quadrados que foram inundados e que margeava a cidade, formando uma praia, pouca coisa sobrou.
    No Pontalete, em Três Pontas (MG), a seca mudou a rotina do distrito. As rampas para barcos viraram um grande barranco e o movimento de restaurantes chegou a cair em até 80%. Do Pontalete era possível chegar por água a Elói Mendes (MG) e Paraguaçu (MG). Agora, as antigas estradas e pontes, que estavam submersas, voltaram a ser usadas.
    Com 22% da capacidade total, o Lago de Furnas está apenas quatro metros acima do nível mínimo, que é de 750 metros acima do nível do mar. Este é o pior nível do ano e um dos piores da década. A situação atual só é superada pelos meses de novembro e dezembro de 2012 e também pela seca histórica de novembro de 2000, quando o lago ficou com apenas um metro acima do nível mínimo operacional.



                             Bairro Lagamar em Varginha (MG) está praticamente sem água (Foto: Reprodução EPTV / Tarcísio Silva)




                                               Prainha de Campo do Meio está praticamente sem água (Foto: Reprodução EPTV)







    Colégio Anglo promove passeata em favor da conscientização da água





    No dia 31 de outubro de 2014 (sexta-feira), o Colégio Anglo realizou uma passeata no centro da cidade Campo Belo, passando pelas principais ruas, João Pinheiro e Avenida Afonso Pena.
    As crianças chamaram a atenção de toda população, demonstrando a necessidade de fazer o uso racional da água, para que no futuro não passemos por maiores necessidades.
    Um ótimo incentivo dos alunos, professores e diretora do Colégio Anglo de Campo Belo.




    155 cidades em MG sofrem com a falta de água

    O número de cidades em situação de emergência por causa da falta de água em Minas Gerais aumentou de 148 para 155, de acordo com o último levantamento da Defesa Civil do Estado divulgado na quinta-feira, dia 9. Entretanto, a Defesa Civil lembra que o número de municípios em dificuldade pode ser bem maior, pois nem todos entram em contato imediatamente com o órgão para pedir ajuda, que seria, nesses casos, o envio de caminhões-pipa.
    Dois exemplos de cidades que não oficializaram a crise na Defesa Civil de Estado são Itapecerica, na região Centro-Oeste, e Viçosa, na Zona da Mata, são duas cidades que estão nessa situação, já decretaram emergência por falta de água, mas não informaram ao órgão estadual.



    Curiosidades sobre a água

    Todos nós sabemos que a água é o elemento da vida, que garante a existência da humanidade no planeta Terra. Nós sabemos também que nosso planeta é chamado de “Planeta Água”, graças às várias fontes de água potável que temos. Mas essa realidade pode mudar muito nos próximos séculos, caso o homem não consiga reverter o quadro de poluição e degradação das fontes naturais de água.

    Atualmente, o mundo já vive uma pequena crise de água. Para ter uma ideia da situação, uma em cada 6 pessoas no planeta não possui acesso direto à água potável. Diante disso, fica evidente a necessidade de preservar nossas fontes de água doce.

    Agora, vamos apresentar algumas curiosidades sobre a água que, talvez, você ainda desconheça. Boa leitura!

    1 - A água é formada por dois átomos: um átomo de hidrogênio e um átomo de oxigênio.

    2 - A água cobre 70% da superfície da Terra.

    3 – Aproximadamente 75% do corpo humano é composto por água.

    4 - 70% da água existente na Terra é salgada e está nos oceanos.

    5 - 70% da água doce do nosso planeta é usada para atividades agrícolas.

    6 - A água é o solvente mais utilizado no mundo em empresas, indústrias e atividades domésticas e científicas.

    7 – A superfície terrestre tem 1.386 milhões de quilômetros cúbicos de água.

    8 - O Brasil tem 13,7% de toda água doce do planeta.

    9 - 80% do total de água doce do Brasil está na Bacia Amazônica.

    10 – O ser humano consome apenas 10% da água do planeta. Os outros 90% se dividem em atividades industriais e agricultura.

    11 - 80% das doenças do mundo são resultados da ingestão de água contaminada.

    12 - 2% da água do planeta está nos glaciares e icebergs.

    13 - Mais de metade das reservas de água doce no mundo estão concentradas em apenas 10 países.

    14 - Uma molécula de água permanece no oceano durante 98 anos.

    15 - A água é a única substância que pode ser naturalmente encontrada nos estados sólido, líquido e gasoso.


    Escassez de Água Potável



    Sabemos que a água potável  é um recurso cada vez mais escasso no planeta. Em 2007 a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou que cerca de 1,1 bilhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável e estima-se que dois milhões de crianças morrem todos os anos pela falta dela ou de saneamento básico.

    Parece controverso que o planeta terra, que é constituído por dois terços de água, não possa abastecer sua população que já ultrapassou os 6 bilhões de indivíduos. Teoricamente, ela não deveria faltar. O problema que quase toda esta água encontra-se distribuída sob a forma de gelo ou água salgada, o que impede seu consumo imediato pelo homem. E para piorar, sua distribuição pela superfície do planeta é desigual.
    Alguns lugares são naturalmente secos, o que exige que a água tenha que ser captada longe do local onde será consumida, tornando necessários investimentos em estruturas de captação e distribuição, além do tratamento. Isso encarece e, muitas vezes inviabiliza seu acesso às pessoas que não tem tantas (ou nenhuma) condições de pagar.
    Como se já não bastassem todas as dificuldades impostas pela natureza, junta-se a isso, as dificuldades impostas pelo homem. Em regiões como o Oriente Médio, por exemplo, a água virou objeto de disputa entre países e um dos motivos que fazem perpetrar um dos conflitos mais antigos da humanidade. Na África, a água já foi elemento de discriminação racial quando, na época do apartheid só os brancos podiam ter acesso a ela.
    O grande problema, além dos já apontados, é que nos lugares onde há grande disponibilidade de água, há uma “cultura de desperdício” onde se prega, erroneamente, que a água é um bem que nunca faltará.
    Felizmente, essa cultura vem sendo combatida e, aos poucos, a população do mundo todo têm se conscientizado da importância de economizar e encontrar meios de reutilizar a água de maneira mais racional.
    No Brasil, um tema bastante discutido é a questão da “cobrança pelo uso da água”. Em alguns países, como a França e a Alemanha, a prática de se cobrar pela captação e diluição de resíduos em corpos d’água já é bastante difundida, mas no Brasil, ainda são poucos os Estados que aderiram à idéia.
    Na experiência brasileira os recursos conseguidos com esta cobrança não são suficientes para financiar todos os custos que envolvem a recuperação da bacia impactada. Contudo cobrar pela utilização da água faz com que haja o que podemos chamar de “conscientização forçada”: já que é difícil convencer pela razão, convence-se pelo bolso. Claro que, neste caso, a cobrança é feita apenas para a captação e dissolução de poluentes, ou seja, aplica-se apenas às indústrias, companhias de saneamento e abastecimento e uso agrícola, todas estas, atividades que lucram com este uso.
    Já quando falamos na possibilidade de se cobrar pelo uso da água do consumidor final (pessoa física), a proposta, embora com boas intenções, esbarra em um dos direitos básicos do homem que é ter suas necessidades básicas de sobrevivência supridas; o que inclui acesso a água potável. Por isso, as propostas neste sentido, costumam englobar um limite mínimo de consumo dentro do qual o uso não é cobrado.
    Parece demais dizer que se deve pagar pelo uso de um bem que deveria ser, por direito, de todos, para pessoas que vivem em um país com uma das maiores cargas tributárias do mundo. A questão é que tudo isso visa inibir o desperdício de um bem escasso e caro. Segundo estatísticas da Organização das Nações Unidas, nos locais de menor renda o acesso à água costuma ser mais caro. As populações que vivem em favelas na América do Sul, por exemplo, gastam em média 10% de sua renda com água, enquanto que na Inglaterra isso não ultrapassa os 3%.
    Enfim, há quem se preocupe com possíveis guerras futuras por causa da água. Estes talvez pensem que dois milhões de crianças mortas por ano ainda é pouco. A verdade é que muito mais que dificuldades geográficas e climatológicas, o que existe de fato é o que Kemal Dervis, administrador do PNUD, e Trevor Manuel, ministro de Finanças Públicas da África do Sul, chamaram de falta de vontade política (artigo publicado em novembro de 2006 no site da ONU Brasil) por parte de governos e instituições.